UFC e futebol? Cada macaco no seu galho, por favor!

O patrocínio de clubes de futebol a lutadores está inflando o orgulho de torcedores e levando escudos de times a lugares inimagináveis. Afinal, o UFC é um evento esportivo de alcance mundial. No entanto, a combinação de luvas e chuteiras pode não ser tão vantajosa para o evento, os atletas e os fãs de MMA no Brasil.

Todo lutador profissional que veste a camisa de um time de futebol perde a simpatia de torcedores rivais – especialmente com os “gringos” se aproveitando das nossas rivalidades futebolísticas. Até o incontestável ídolo Anderson Silva já precisou se explicar para a torcida, após o UFC Rio quando, aparentemente, respondeu às provocações da plateia flamenguista. E isso para ganhar do Corinthians pequena uma fração do valor que recebe para lutar.

Na edição 142 do evento, a questão pode ficar ainda mais séria. José Aldo entrará no octógono patrocinado pelo Flamengo e, como já virou costume, seu adversário Chad Mendes vestiu a camisa do Vasco para provocá-lo. Sempre que esse clássico acontece nos estádios, a polícia prepara esquema especial de segurança. Talvez não seja o caso de reforçar o policiamento no UFC Rio 2, mas estimular esta rivalidade em uma arena lotada por fãs de luta é, no mínino, preocupante. Especialmente considerando que uma outra rivalidade (jiu-jitsu x luta livre) baniu o MMA do Brasil durante muito tempo.

Nós, fanáticos por futebol, podemos imaginar o que é trabalhar patrocinado pelo seu clube do coração. Mas não custa lembrar que os atletas são contratados pelo UFC, como lembrou Vitor Belfort em reportagem no site da Revista Exame. “Se um dia eu for representar um time, ele não vai ser de futebol, vai ser um time de UFC”, disse o lutador. Ele tem razão. Futebol e MMA são duas paixões nacionais, mas precisam ter espaços separados no coração dos torcedores.

E nem vou entrar no mérito de que os investimentos em patrocínio para o MMA poderiam ser revertidos para outras modalidades nos clubes…