“CBF sabota o futebol feminino” diz pesquisadora

Em entrevista ao jornal alemão Deutsche Welle, a pesquisadora Katia Rubio, autora de 24 livros sobre psicologia do esporte e estudos olímpicos, criticou duramente a forma como a Confederação Brasileira de Futebol conduz o futebol feminino no país. Leia o trecho em que ela fala sobre o tema:

DW: Foi veiculado na imprensa que a CBF estuda desfazer o time permanente de futebol feminino. O que a senhora acha dessa atitude?

Katia Rubio: Só mostra o tipo de gente à frente do esporte no Brasil. Por isso eu defendo que o futebol masculino saia das Olimpíadas e fique só o feminino. Porque elas, com toda a falta de estrutura, chegam a disputar uma medalha de bronze. Elas ficam na Vila Olímpica e criam uma relação com o movimento olímpico, algo que o futebol masculino não faz. Até quando as mulheres brasileiras vão ter que mendigar respeito e espaço no futebol? Isso tudo porque temos uma confederação que deliberadamente impede odesenvolvimento do futebol feminino no Brasil.

DW: Por que é importante ter uma seleção permanente para as mulheres?

Kátia Rubio: Os homens têm outro foco, que é a Copa do Mundo. As mulheres não têm isso, a única coisa que dá visibilidade para o futebol feminino brasileiro, que vive em uma eterna UTI, é a Olimpíada. Chega a Rio 2016, e a seleção feminina começa a ter mais visibilidade do que a masculina, isso é um tapa na cara dos dirigentes. Como pode uma seleção com tão pouco investimento ser tão querida pelo público? Eu tenho a impressão que o próprio técnico da seleção feminina, seguindo instruções, trabalhou para que elas não chegassem lá. A forma como ele escalou o time, deixando de fora meninas que eram fundamentais na organização da equipe… Há coisas que estão acontecendo lá dentro que o público não sabe. E elas, por temerem perder o pouco que têm, não denunciam. Enquanto não houver um movimento de valorização do esporte feminino, a gente não vai ver essas meninas ganharem medalhas.

A pesquisadora afirmou ainda que o Brasil é uma “terra de atletas órfãos”. Leia a reportagem: http://www.jornalfloripa.com.br/noticia.php?id=373137